24 de maio de 2017

Rosemary Radui, Miss Paraná 1965


O grande momento do concurso: Ângela Tereza Vasconcelos procede à coroação da nova Miss Paraná sob os aplausos do público que lotou o Ginásio. 
Célia Maria Canassa, Miss Arapongas e Márcia Valéria Martinelli, Miss Londrina, segundo e terceiro lugares respectivamente.


O Norte do Paraná está com a bala branca, pois além de constituir o esteio da economia paranaense e possuir as terras mais férteis do país, ser o maior produtor de divisa, etc., etc., etc., conquistou os três primeiros lugares do concurso Miss Paraná 1965. E mais: entre as 10 finalistas, nada menos de seis candidatas representaram cidades da região cafeeira, ao lado das indicadas por Curitiba, Guaratuba, Ponta Grossa e São José dos Pinhais. O cetro máximo da beleza nesta promoção dos Diários Associados, foi com inteira justiça conferido a Rosemary Radui, de Apucarana. Uma lourinha encantadora com 18 anos bem vividos e mais os seguintes predicados físicos: altura, 1,70m. Peso, 60kg. Coxa, 53cm. Cintura, 60cm. Quadris, 92cm. Tornozelo, 21cm. Busto, 92cm. Olhos azuis. A eleição da sucessora de Ângela Tereza Vasconcelos foi realizada no Ginásio Filadélfia, perante um público de seis mil pessoas, que até as três horas da madrugada brindou todas as candidatas com aplausos sinceros e entusiásticos, sem partidarismos ou preferências que poderiam empanar o brilho do espetáculo e a felicidade das concorrentes durante o desfile. Os segundo e terceiro lugares foram atribuídos a Célia Maria Canassa, Arapongas, e Márcia Valéria Martinelli, Miss Londrina.


Fonte: Revista Panorama, nº 157, junho de 1965 - ano XV

*Em tempo: No Miss Brasil a Miss Paraná 1965 ficou entre as semifinalistas em concurso vencido pela Miss Guanabara Maria Raquel Helena de Andrade, no ano do IV Centenário do Rio de Janeiro.

22 de maio de 2017

A Vida Secreta das Abelhas - Sue Monk Kidd

"As abelhas são insetos sociáveis e vivem em colônias. Cada colônia é uma unidade familiar, constituída de uma única fêmea que põe ovos, a rainha, e de suas várias filhas estéreis chamadas operárias. As operárias juntam os alimentos, constroem ninhos e criam os filhotes. Os machos são criados apenas nas épocas do ano em que sua presença é necessária". Bees of the World  

Olá meus queridos amigos e amigas, hoje a resenha é para quem gosta de drama. História muito gostosa de ler, mas um pouco dramática, não me lembro de ter lido algum livro com esse teor. Fiquei sabendo da existência do livro através de uma amiga que postou no facebook. Espero que gostem também.

Título: A Vida Secreta das Abelhas


Autor do livro: Sue Monk Kidd

Editora: Paralela

Nº de páginas: 231

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi...
A capa amarela com o perfil de duas pessoas, sendo uma delas, uma menina.

Em 2008 o livro foi adaptado para o cinema com as atrizes Queen Latifah e Dakota Fanning nos papéis principais.

O livro é sobre...
Uma adolescente que foge de casa para tentar descobrir a verdade sobre sua mãe.

Eu escolhi esse livro porque...
Li a sinopse, gostei e resolvi incluir nas minhas leituras desse ano.

A leitura foi...
Agradável.

O trecho do livro que merece destaque:

“Caminhando pela faixa cheia de mato ao longo da estrada pela segunda vez naquele dia, fui pensando como os catorze anos tinham me tornado mais velha. Em algumas horas eu me sentia com quarenta anos.” – pág. 37.

"Não havia nada de branco em Zachary Lincoln Taylor. Nem mesmo o branco dos seus olhos era muito branco. Ele tinha ombros largos e cintura fina, cabelo cortado bem curto como a maioria dos rapazes negros, mas foi seu rosto que me chamou a atenção. Se ele estava chocado pelo fato de eu ser branca, eu estava chocada por ele ser tão bonito." - pág. 91 

A nota que eu dou para o livro:

Nota:
3 - Gostei bastante

Sobre a autora: Sue Monk Kidd nasceu em 1948 e é natural do estado da Geórgia. Formou-se em Enfermagem, exercendo a profissão ainda algum tempo antes de se dedicar à escrita. O seu primeiro romance A Vida Secreta das Abelhas tornou-se num verdadeiro fenómeno literário, vendendo mais de 6 milhões de cópias nos EUA e mantendo-se na lista de bestsellers do The New York Times durante mais de dois anos. Agraciada como Livro do Ano em 2004, foi adaptado para o cinema. O segundo romance de Kidd, A Ilha das Garças, de 2005, vendeu mais de um milhão de cópias e conquistou o Quill Award For General Fiction. Coescreveu um livro de memórias com a filha Ann Kidd Taylor, Traveling with Pomegranates: A Mother-Daughter Story, tendo sido também autora de outras biografias e livros de memórias, incluindo The Dance of the Dissident Daughter. Tem duas filhas e reside no sudoeste da Flórida com o marido, Sandy, e um Labrador Retriever preto.

Este livro é para o desafio:

17 de maio de 2017

O Renascença se Exila das Passarelas


 A quarta da direita para esquerda Dirce Machado, Miss Renascença 1960.
Iara Santos, Miss Renascença 1961, é a quinta da direita para esquerda.
 
Miss Renascença de 1963 Aizita Nascimento, é a terceira das cinco misses fotografadas.
Miss Renascença de 1964, Vera Lúcia Couto dos Santos, de maiô e vestido by Hugo Rocha.
Sandra Duarte, Elizabeth Santos (Miss Renascença de 1966), Maria Elizabeth e Ana Cristina Ridzi.
Sônia Maria Aguiar, Miss Renascença de 1967.
Sônia Silva, Miss Renascença de 1970.



A era de ouro do Clube Renascença nos concursos de miss terminava em 1970, com Sônia Silva disputando com 27 outras candidatas a faixa de Miss Guanabara ficando em 3º lugar. Curiosamente nas duas ocasiões em que as mulatas do Rena conseguiram essa mesma colocação suas algozes foram coroadas Miss Brasil. Foi assim com Elizabeth Santos em 1966, que perdeu para Ana Cristina Ridzi e Sônia Silva que ficou atrás de Eliane Fialho Tompson. Outra coincidência: ambas eram louras. Polêmicas à parte, de concreto mesmo só o fato do Renascença se exilar das passarelas em definitivo e o Miss Guanabara perder o charme por não contar mais com a presença da torcida mais animada, calorosa e barulhenta do Maracanãzinho. De 1960 quando elegeu sua primeira miss até 1970, a agremiação só não enviou candidatas em 1965 e 1969. No primeiro caso a ausência teve como justificativa o sucesso internacional de Vera Lúcia Couto dos Santos no Miss Beleza Internacional de 1964 motivando o início imediato das obras de reforma da sede, porque a agremiação tinha conquista status atraindo ao quadro de associados uma parcela da então emergente classe média formada por profissionais liberais, construtores, intelectuais e artistas negros. Em 1969 alegação é que não tinham encontrado uma jovem em condições de repetir o sucesso das misses anteriores. Até porque as candidatas do Renascença eram aguardadas na maior expectativa pela mídia e o público  em geral, e sempre eram apontadas com favoritas. Coincidentemente, Ilan Amaral, única mulata inscrita no Miss Guanabara de 1969 pelo Cacique de Ramos não fico nem entre as oito finalistas. A mesma decepção ocorreu em 1968, quando o Renascença apostou todas as suas fichas em Ione Fernandes e ela ficou de fora do top quatro. Teve como principal adversária nada mais nada menos que Maria da Glória Carvalho, Miss Clube Monte Líbano, 3º lugar no Miss Brasil e única brasileira eleita Miss Beleza Internacional, no Japão. Mas para falar dessas verdadeiras Deusas de Ébano que não precisaram de cotas para conquistar fama e sucesso não poderíamos omitir um personagem que incentivava e descobriu muitas delas no seu ambiente de trabalho. Falamos da cabeleireira Dinah Duarte, proprietária de um salão de beleza no Méier, vizinho ao Andaraí, onde até hoje fica a sede do Renascença. Dinah não foi a idealizadora do concurso Miss Renascença, todavia foi a responsável pela incorporação de inovações na parte social do clube. Era Dinah Duarte responsável pela preparação das candidatas. Foi ela inclusive que produziu e acompanhou Vera Lúcia Couto dos Santos tanto nas fases estadual e nacional dos concursos como na viagem aos Estados Unidos onde participou do Miss Beleza Internacional na condição de Primeira Miss Brasil Negra, como a própria Verinha faz questão de dizer em todas as entrevistas. Atualmente o Renascença promove eventos sócio-educativos e culturais em sua sede. Foi fundado em 17 de fevereiro de 1951 por um grupo de negros de classe média que, impedidos de ingressar em clubes tradicionalmente frequentados por brancos, resolveu criar uma agremiação onde as famílias negras pudessem se reunir e se confraternizar se divertindo num ambiente social e cultural em harmonia, onde não sofressem discriminação. O grupo era formado pelos advogados Oscar e Jandir de Paula Assis; os comerciantes Domingos e Idalina de Jesus Soares, além dos irmãos médicos Humberto e Diva de Oliveira, e Enedina Rodrigues da Silva. Em 1958 o clube foi transferido para a Rua Barão de São Francisco, no Andaraí, mantendo, valorizando e preservando suas tradições culturais, mas exilado das passarelas que imortalizaram suas misses e o consagraram internacionalmente.


Texto: Mucíolo Ferreira (missólogo)
Fonte: Blog Fernando Machado
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